03 novembro 2006

Um pouco de poesia

A TRAGÉDIA DA MATEMÁTICA

Num certo livro de Matemática, um quociente apaixonou-se por uma incógnita. Ele, o quociente, produto de notável família de importantíssimo polinômios. Ela, uma simples incógnita, de mesquinha equação literal. Oh! Que tremenda desigualdade. Mas como todos sabe, o amor não tem limites e vai do mais infinito ao menos infinito.
Apaixonado, o quociente a olhou do vértice à base, sob todos os ângulos, agudos e obtusos. Era linda, uma figura impar e punha-se em evidência: olhar rombóides (= rombo – losango), boca trapezóide, seios esféricos num corpo cilíndrico de linhas senoidais (=curvas).
_Quem és tu? Perguntou o quociente com olhar radical.
_Sou a raiz quadrada da soma do quadrado dos catetos. Mas pode me chamar de hipotenusa. Respondeu ela com uma expressão algébrica de quem ama.
Ele fez de sua vida uma paralela à direita, até que se encontraram no infinito. E se amaram ao quadrado da velocidade da luz, traçando ao sabor do momento e da paixão, retas e curvas nos jardins da quarta dimensão.
Ele a amava e a recíproca era verdadeira. Se adoravam nas mesmas razões e proporções no intervalo da vida.
Três quadrantes depois, resolveram se casar. Traçaram planos para o futuro e todos desejaram felicidade integral. Os padrinhos foram o vetor e a bissetriz.
Tudo estava nos eixos. O amor crescia em progressão geométrica. Quando ela estava em suas coordenadas positivas, tiveram um par: o menino, em homenagem ao padrinho, chamaram de versor; a menina, uma linda abscissa. Ela sofreu duas operações.
Eram felizes até que, um dia, tudo tornou uma constante. Foi aí que surgiu um outro. Sim, um outro. O máximo divisor comum, um freqüentador de círculos viciosos. O mínimo que o máximo ofereceu foi uma grandeza absoluta. Ela sentiu-se imprópria, mas amava o máximo.
Sabedor desta regra de três, o quociente chamou-a de fração ordinária. Sentindo-se um denominador comum, resolveu aplicar a solução trivial: um ponto de descontinuidade na vida deles. Quando os dois amantes estavam em colóquio, ele em termos menores e ela de combinação linear, chegou o quociente e num giro determinante disparou o seu 45.
Ela foi para o espaço imaginário e ele foi parar num intervalo fechado, onde a luz solar se via através de pequenas malhas quadráticas.

Autor desconhecido

Um comentário:

Anônimo disse...

Fala Maninho,
Vc continua com esta estranha mania de números heim?
Parabéns pelo blog, muito informativo.
Mande lenbranças aos nossos e mantenha-nos informados com sua sabedoria ímpar.

Carlos do Pantanal Sul Matogrossense.